Você Sabia que nós quase desistimos de realizar transplantes de coração?

O transplante de coração, procedimento que salva muitas vidas, é comum hoje em dia, mas quase desistimos dele nos anos 70.

Qualquer busca na internet por Norman Shumway irá retornar resultados atribuindo o primeiro transplante de coração a ele, muitas enfatizando o seu pioneirismo. Mas ele não foi exatamente o primeiro a fazer isso.

Os primeiros foram feitos entre cachorros, embora todos tenham morrido poucas horas depois. O primeiro transplante envolvendo um ser humano aconteceu em 1964, mas o coração – que veio de um chimpanzé – foi rejeitado pelo corpo do paciente, que morreu uma hora depois.

Em 1967, um transplante entre dois humanos adultos ocorreu na África do Sul, mas o paciente não sobreviveu mais do que dezoito horas, vítima de uma pneumonia. No mesmo ano, médicos dos EUA tentaram pela primeira vez no país realizar uma cirurgia semelhante, mas o paciente morreu seis horas depois.

Uma nova tentativa no país africano foi realizada no ano seguinte, e o paciente chegou a sobreviver alguns meses, sendo considerado um caso de sucesso na época. Norman só realizou sua cirurgia em 1968, mas o paciente morreu em 15 dias.

Apesar do registro de um paciente de 1969 que sobreviveu vinte anos após a cirurgia, nos anos 70 poucos médicos se interessavam pelo procedimento, pois os riscos eram altos e os cuidados pós-médicos eram demasiados. Casos de pacientes que sobreviviam mais do que alguns meses eram considerados inusitadamente bem sucedidos.

A revista Time chegou até a fazer uma reportagem sobre a provável morte do procedimento. Norman insistiu e continuou trabalhando na ideia, tanto do ponto de vista médico quanto social, realizando biópsias em corações para verificar se eles eram apropriados para os pacientes, ao mesmo tempo em que encorajava as pessoas a se tornarem doadoras. Ele desenvolveu os procedimentos para cuidar de pacientes após a operação (hoje, os cuidados pós-médicos incluem uma enfermeira pessoal e vários testes diários de sangue).

Contudo, Norman só ganhou destaque nos anos 80, quando sua equipe utilizou ciclosporina para transplantes de coração. A ciclosporina é uma droga que inibe a ação do sistema imunológico, prevenindo assim a rejeição do novo órgão por parte do corpo do receptor.

As taxas de sucesso aumentaram, assim como o número de pessoas que faziam o procedimento, chegando aos atuais 2.000 transplantes por ano nos EUA. Considerando que os créditos do primeiro transplante sejam de Norman, temos aqui um caso curioso em que quem levou os créditos foi o primeiro que persistiu, e não o primeiro que de fato realizou a operação.A rejeição é uma reação natural do corpo a agentes externos, como os órgãos transplantados. De repente, o coração transplantado virou algo a que as pessoas podiam sobreviver.

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