Astrônomos detectaram o mais brilhante pico de luz já visto em um buraco negro na Via Láctea

Pesquisadores observaram o mais brilhante pico de luz já visto no buraco negro no coração da nossa galáxia, a Via Láctea.

O nosso buraco negro, chamado de Sagitário A*, é uma fonte de rádio astronômico, ou seja, um objeto cósmico que emite fortes ondas de rádio. Ele produz quase tanta energia quanto o Sol – apesar de ser 4 bilhões de vezes maior.

Uma vez por dia, contudo, ele emite picos de luz – um fenômeno que oscientistas estão tentando investigar para entender melhor como os buracos negros evoluem.

Agora, uma equipe internacional usando o Observatório de raios-X Chandra da NASA detectou o pico mais brilhante já observado em Sagitário A*, que por um instante brilhou 150 vezes mais intensamente do que a luminosidade normal do buraco negro.

Eles dizem que o pico breve de atividade pode oferecer uma pista vital sobre como buracos negros maduros se comportam. Joey Neilsen, pós-doutor do Instituto Kavli de Astrofísica e Pesquisa Espacial do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, contou ao MITnews: “Nós estamos descobrindo o que os buracos negros fazem quando são velhos. Eles não são jovens metidos como os quasares, mas ainda estão ativos, e como eles estão ativos é uma pergunta interessante”.

Conforme os buracos negros engolem matéria próxima, eles emitem energia luminosa que permite que os astrônomos os detectem. Contudo, enquanto os centros de galáxias recém-nascidas e quasares vomitam gigantescas quantidades de energia quando devoram matéria em volta, buracos negros velhos tendem a diminuir a velocidade conforme envelhecem, consumindo menos e aparecendo mais apagados.

Gif mostrando o pico de brilho no buraco negro Sagitário A*.

Ao mesmo tempo em que a ideia popular de buracos negros é de que eles são como um aspirador sugando tudo que passa por perto, Frederick K. Baganoff explica que “nesse estado de baixa taxa de aceleração eles são bem mimados para a ‘comida’, e por alguma razão eles expulsam a maior parte da energia”. 

Contudo, uma análise do Sagitário A* feita pelo Espectrômetro de Gradeamentos de Transmissão de Alta Energia do Chandra em 9 de fevereiro mostrou um  pico de 700 fótons – 150 vezes mais brilhante que a luminosidade normal.

“Repentinamente, por alguma razão, Sagitário A* está engolindo muito mais”, disse o cientista do Instituto Kavli Michael Nowak. “Uma teoria é que de tempos em tempos, um asteroide chega perto do buraco negro, fazendo com que ele se estenda e despedace o objeto, para depois comer o material e transformá-lo em radiação, por isso você vê esses picos”.
Outra questão que a equipe pretende observar é porque os buracos negros liberam tão pouca energia. O Dr. Baganoff em 2003 calculou que devido à quantidade de gás em volta dele, Sagitário A* deveria ser milhões de vezes mais brilhante.O Dr. Nowak disse ao MITnews que ele suspeita que esses picos ocorrem mais frequentemente do que os cientistas antes acreditavam e a equipe agora reservou mais um mês no Chandra para observar o Sagitário A* na esperança de detectar mais e encontrar o que está causando os picos.

Suas descobertas sugeriam que o buraco negro está na verdade jogando fora a maior parte da matéria que flutua para dentro da sua força gravitacional – um fenômeno cuja física ainda é um quebra-cabeça que poderia explicar a história de nossa galáxia.

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