Messenger encontra sinais de gelo e compostos orgânicos em Mercúrio

Gelo no forno

Utilizando dados da Sonda Espacial Messenger, cientistas da NASA anunciaram ter encontrado sinais de gelo de água e compostos orgânicos em Mercúrio.

Os dados foram apresentados em três artigos científicos publicados na revista Science.

Dada a sua proximidade do Sol, Mercúrio era um local improvável para conter gelo – sua temperatura varia de -170º C a 400º C.

Contudo, como a inclinação de seu eixo é menor do que 1 grau, há áreas em seus pólos que nunca recebem luz do Sol.

Dados de radar, obtidos nos anos 1990, já haviam detectado zonas brilhantes no pólo norte do planeta, o que é compatível com gelo porque o gelo reflete bem os sinais de radar, gerando pontos mais claros nas imagens.

NASA anuncia sinais de gelo e compostos orgânicos em Mercúrio

Os dados mais precisos da Messenger indicam que o gelo, que está no fundo de crateras no pólo norte de Mercúrio, pode chegar a 100 quilômetros cúbicos de água congelada.

Claro, escuro e misterioso

O gelo parece estar exposto nas partes mais frias das crateras, mas a maior parte está enterrada sob um material excepcionalmente escuro. Nestas áreas, a temperatura na superfície é quente demais para a manutenção do gelo.

“Nós estimamos, com base em nossas medições de nêutrons, que o gelo de água está sob uma camada que tem muito menos hidrogênio. A camada superficial tem entre 10 e 20 centímetros de espessura,” disse David Lawrence, membro da missão Messenger.

O segundo artigo discute a presença dos depósitos de materiais claros e escuros que se alternam de forma irregular.

“Ninguém tinha visto estas regiões escuras em Mercúrio antes, de forma que elas são sobretudo misteriosas,” comentou Gregory Neumann, que coordenou este estudo.

São esses materiais escuros que dão sustentação à ideia de que há gelo soterrado nas crateras, fornecendo-lhe uma espécie de camada de isolamento térmico.

Possibilidades orgânicas

O terceiro artigo vai um pouco mais longe e sugere que esse material pode ter origem em cometas ou asteroides ricos em compostos voláteis que teriam caído no planeta e produzido as crateras de impacto agora analisadas.

“O material escuro pode ser uma mistura de compostos orgânicos complexos levados para Mercúrio pelo impacto de cometas e asteroides, os mesmos objetos que provavelmente forneceram água [para a Terra],” sugere David Paige, um dos autores da hipótese.

Bibliografia:

Evidence for Water Ice Near Mercury’s North Pole from MESSENGER Neutron Spectrometer Measurements
David J. Lawrence, William C. Feldman, John O. Goldsten, Sylvestre Maurice, Patrick N. Peplowski, Brian J. Anderson, David Bazell, Ralph L. McNutt Jr., Larry R. Nittler, Thomas H. Prettyman, Douglas J. Rodgers, Sean C. Solomon, Shoshana Z. Weider
Science
Vol.: ScienceXpress
DOI: 10.1126/science.1229953

Bright and Dark Polar Deposits on Mercury: Evidence for Surface Volatiles
Gregory A. Neumann, John F. Cavanaugh, Xiaoli Sun, Erwan M. Mazarico, David E. Smith, Maria T. Zuber, Dandan Mao, David A. Paige, Sean C. Solomon, Carolyn M. Ernst, Olivier S. Barnouin
Science
Vol.: ScienceXpress
DOI: 10.1126/science.1229764

Thermal Stability of Volatiles in the North Polar Region of Mercury
David A. Paige, Matthew A. Siegler, John K. Harmon, Gregory A. Neumann, Erwan M. Mazarico, David E. Smith, Maria T. Zuber, Ellen Harju, Mona L. Delitsky, Sean C. Solomon
Science
Vol.: ScienceXpress
DOI: 10.1126/science.1231106

Fonte: Inovação tecnologica

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