Os anéis de Saturno podem duplicar-se como uma fábrica de luas

Um novo modelo sugere que muitas luas podem ter surgido em anéis em volta de planetas como Saturno, Urano, Netuno e até da Terra, em algum momento no passado.

Tradicionalmente, acredita-se que as luas surgem quando discos gasosos se fundem em volta de um planeta. É um modelo ainda aplicado a luas como as de Júpiter.

No caso de Saturno, os satélites seguem um padrão curioso. As órbitas delas estão próximas das bordas dos anéis, e as luas crescem e se espalham mais conforme ficam mais longe. Os anéis do planeta marcam o limite Roche. Até este limite, as luas seriam atraídas e fundidas aos anéis. Fora do limite, elas conseguem sobreviver, pois as forças gravitacionais são mais fracas. Aliás, esta é a origem dos anéis do planeta, segundo os astrônomos.

Mas os anéis não são estáticos. Enquanto fragmentos mais próximos do planeta trocam momentos angulares com os fragmentos mais distantes, perdendo energia e entrando em rota de colisão com o planeta, os pedaços maiores ganham energia e se afastam de Saturno.

Aurélien Crida, do Observatório da Costa Azul em Nice, França, e Sébastien Charnoz, da Universidade Denis Diderot em Paris simularam este efeito, e observaram que o material que deixa as bordas exteriores do anel se agrupava em uma pequena lua, que então se afasta do planeta.

Quando há material o suficiente nos anéis, uma segunda lua pode crescer no mesmo local da primeira, e depois se afastar, dando lugar a uma terceira lua, e assim por diante. As primeiras luas provavelmente seriam maiores, não só porque tinham um anel maior de onde tirar material, mas porque tinham mais tempo para colidir e se fundir, formando luas maiores.

“Prova do crime”

A distribuição das luas de Netuno e Urano é tão similar à das luas de Saturno que é possível afirmar que, no passado, esses planetas tinham um sistema de anéis bem maior do que hoje. “Nós achamos que é a “prova do crime”, a evidência conclusiva desse processo”, diz Aurélien ao NewScientist. Contudo, serão necessários mais estudos sobre a formação de anéis para entendê-la melhor e determinar como eram os anéis de Urano e Netuno no passado.
O processo por meio do qual este material eventualmente formaria a Lua não foi investigado em detalhes até agora. Se o material tiver se fixado em um anel grande, ele pode ter se espalhado e congelado em uma única Lua em apenas um mês”, diz Aurélien.A teoria permite cogitar que até a Terra já teve um anel em algum momento. A nossa Lua provavelmente surgiu quando um corpo celeste grande se chocou com a jovem Terra e fez com que grandes quantidades de material se espalhassem no espaço.

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