E se o que você considera realidade for apenas uma simulação de computador?

  E se o mundo inteiro não fosse real, fosse apenas uma simulação de computador, como um gigantesco Sim City, no qual nós somos os personagens?

Esta teoria não é nova, mas um grupo de físicos está buscando aprofundá-la, e três deles propõem que nós testemos essas realidades simulando a simulação.

  Martin Savage, professor de física da Universidade de Washington, Zohreh Davoudi, um de seus alunos, Silas Beane, da Universidade de Nova Hampshire estão querendo testar a existência de uma grande simulação em raios cósmicos. O trabalho está disponível no arXiv, um arquivo on-line com estudos acadêmicos.

A noção de que a realidade não é o que parece vem de épocas bem anteriores a jogos de simulação e filmes como Matrix. Platão e a sua Alegoria da Caverna pode ser, talvez, o primeiro grande exemplo.

Em 2003, o filósofo britânico Nick Bostrom, da Universidade de Oxford, publicou um estudo que fez barulho no mundo da filosofia e ciências da computação. Ele sugeriu três possibilidades: “As chances de que uma espécie em nosso estágio de desenvolvimento pode evitar a extinção antes de se tornar tecnologicamente madura são insignificantemente pequenas, quase nenhuma civilização madura está interessada em rodar uma simulação de mentes como as nossas, ou nós estamos quase certamente em uma simulação”.

As três são igualmente possíveis, segundo ele, mas se as duas primeiras forem falsas, a terceira tem de ser verdadeira. A sugestão dele é de que nossos descendentes de muito longe no futuro terão criado simuladores complexos como este em que nós supostamente vivemos, e podem existir milhões de simulações, com milhões de universos virtuais e bilhões de cérebros simulados em cada um. O estudo dele saiu quatro anos depois da estreia do filme Matrix, o que pode ter ajudado a dar mais atenção à pesquisa, mas nada além disso foi divulgado.

Tanto o estudo quanto o filme sugerem que a descoberta da simulação acontece quando as pessoas percebem erros na vida, que seriam problemas da simulação (no caso do filme, por exemplo, os erros eram os déjà vus).

  Martin e seus colegas partem do princípio segundo o qual qualquer simulação futura usaria certas técnicas semelhantes às encontradas em simulações de hoje em dia. As simulações futuras iriam mapear o universo em uma grade matemática com pontos e retas. Seria um “hipercubo”, com quatro dimensões – as três do espaço e uma do tempo.

Um exemplo é a treliça quântica cromodinâmica, que explora a força nuclear, uma das quatro forças fundamentais do universo, em minúsculas partículas fundamentais como os quarks e os glúons. No caso, as partículas vão de um ponto ao outro na grade, sem passar pelo espaço entre elas. As simulações fariam a mesma coisa com o tempo, como se fosse um filme, em que os quadros passam rapidamente diante de nossos olhos: não haveria nada entre um quadro e outro. Isso é mais fácil do que tratar espaço e tempo como algo contínuo.

Como as simulações futuras usariam a mesma tecnologia, basicamente, então Martin sugere que analisemos raios cósmicos de alta energia para ver se há uma grade de energia. Ele explica ao LiveScience: “Você olha nos raios cósmicos mais enérgicos e procura por distribuições que tenham problemas simétricos, que não são isotrópicos, ou os mesmos em todas as direções. Tudo parece como sendo algo contínuo. Não há evidências para mostrar que este não é o caso no momento. Nós estamos procurando por algo que indique que nós não temos uma continuidade espaço-temporal”.

Esse distúrbio na força pode esconder um erro da realidade. Basicamente, se os raios viajam pela grade, como se seguissem as ruas de uma cidade, então talvez não sejamos personagens de uma simulação. Se de repente um deles entra em diagonal, então temos uma chance maior de constatar uma simulação.

  Jim Kakalios, professor de física da Universidade do Minnesota, não participou do estudo, mas afirmou que um teste como esse pode não provar nada. Ou seja, só porque não encontraram sinais, não quer dizer que não estamos em uma simulação, pois os nossos descendentes podem ter simplesmente usado outra grade. Da mesma forma, se encontrarmos desvios nos raios cósmicos, isso pode significar apenas que o espaço-tempo funciona assim e nós não sabíamos anteriormente, segundo ele.

Há mais duas questões: a primeira é se é concebível que computadores tão poderosos um dia sequer existirão. A segunda é se um dia será possível simular a consciência humana – afinal, nós pensamos e sentimos.

Há tempos os livros de ficção científica, ou de ciência propriamente dita, traçam hipóteses sobre como inserir nossa consciência em computadores para que pudéssemos viver para sempre. “Nós não entendemos a consciência. A neurociência é onde a física estava antes da mecânica quântica. É um problema mais interessante do que quando você pode simular prótons e quarks”, diz Jim.“O estudo desliza sobre o ponto mais interessante: assumir que nós temos energia infinita para computadores e que nós podemos criar este hipercubo. Eles pressupõem que os simuladores saberiam como simular a consciência humana”, diz Jim.

De qualquer forma, os experimentos com raios cósmicos deveriam ser conduzidos ainda que sem o objetivo de se constatar uma simulação”, finaliza ele.

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