6 cientistas “malucos” que brincaram com a vida e a morte

 

Frankenstein, de Mary Shelley, é uma cuidadosa crítica aos abusos da ciência, especialmente às armadilhas envolvidas quando se brinca com cadáveres e raios.

Nem todos ouviram os conselhos de Mary. Antes mesmo de o conto ser escrito, cientistas já brincavam com a vida e a morte. E continuaram brincando depois que a história foi publicada.

Seguem abaixo seis histórias de cientistas reais, produzidas pelo site Io9, que tentaram reanimar os mortos ou criar vida por meio dos raios:

Lazzaro Spallanzani

Lazzaro era um padre católico e professor de história natural na Universidade de Pavia, na Itália, no final do século XVIII. Seus primeiros experimentos envolviam adicionar água a animais microscópicos e anunciar que havia conseguido ressuscitá-los com isso. Mas isso não foi o bastante para ele.

Curiosamente, Lazzaro recorreu ao ateu francês Voltaire para orientação espiritual. O italiano queria que o iluminista o contasse o que ele achava que acontecia com as almas dos animais mortos. Voltaire não só acreditou na reanimação conduzida por Lazzaro, como ainda respondeu à sua pergunta dizendo que é ele quem seria o mais qualificado para dar uma resposta.

O próximo experimento envolvia cortar as cabeças de caracóis para ver se elas cresciam de volta. Mesmo assim, ele era definitivamente o menos louco dos cientistas loucos. Ele não só foi a primeira pessoa a comprovar a ação de substâncias químicas na nossa digestão, como também foi o primeiro a identificar glóbulos brancos do sangue.

Andrew Crosse

Andrew Crosse brincava com raios em 1837. Ele amarrou cerca de 530 metros de fios de cobre em volta de sua casa, e concentrou toda a eletricidade que eles capturavam em seu laboratório. Ele focou em um prato estéril de uma sopa primordial – uma mistura de elementos químicos que supostamente deram origem à vida na Terra – que ele preparou. Ele então atingiu a sopa com uma descarga elétrica e reparou que cristais começaram a crescer nela. Esperando conseguir resultados maiores, ele expôs a sopa a correntes fracas por longos períodos.

Ele ficou maravilhado ao constatar que, após longas semanas, animais parecidos com ácaros surgiram e começaram a se movimentar. Ele repetiu o experimento várias vezes, e, segundo estudiosos modernos, ele aparentemente deve ter mantido o ambiente bastante estéril durante a experiência caso tenha seguido os procedimentos que descreveu.

Mesmo assim, é preciso admitir que o local estava, de fato, contaminado. Os vitorianos admitiram a mesma coisa, apesar de também considerarem que Andrew fosse um “idiota”.

Os cientistas achavam que ele só estava em busca de uma falsa glória. Já os teístas o acusaram de tentar brincar de Deus. Os vizinhos, temiam que ele queimasse a sua casa (e a deles também). Basicamente, ele era repudiado por todos e teve que abandonar sua casa até que o escândalo terminasse.

Johann Dippel

Foi Johann que inspirou a lenda de Frankenstein. Afinal, ele vivia no castelo de Frankenstein e assinava com o mesmo nome. Só que ele não era como o bom doutor que muitos achavam, já que ele se interessava mais pela preservação do que pela reanimação da vida.

Ele até chegou – ou dizem que chegou – a roubar alguns túmulos na área para usar partes dos corpos enterrados para criar um elixir da imortalidade. Por alguma razão, ele achava que com os pedaços de cadáveres poderia lhe fornecer sua tão sonhada “poção da juventude”.

Os cientistas dos cachorrinhos

Hoje, os cachorros são bichos de estimação populares no mundo inteiro, mas nem sempre eles foram tão bem tratados. Na primeira metade do século XX, diversos cientistas faziam experiências “frankesteinianas” com os cães, como Robert Cornish, que provocava ataques cardíacos para depois tentar trazê-los de volta à vida por meio de procedimentos médicos emergenciais.

Ele chegou a ressuscitar dois deles, mas eles sofreram danos cerebrais. Já o russo Sergei Bryukhonenko prendeu seus recém-inventados coração e pulmão mecânicos à cabeça de um cachorro e o manteve vivo por algum tempo, durante o qual ele ficou deitado em um prato, comendo e bebendo.

As experiências eram de péssimo gosto, é verdade, mas elas serviram para um propósito útil: seus resultados ajudaram a salvar muitas vidas humanas. Mas nem todos os cientistas de cachorrinhos eram tão lúcidos assim.

Vladimir Demikhov, por exemplo, enlouqueceu e decidiu fazer cachorros de duas cabeças. Ele chegou a conseguir colocar a cabeça de um cachorro no corpo de outro mais de vinte vezes, mas nenhum dos cachorros bicéfalos sobreviveu por mais do que um mês.

Jābir ibn Hayyān

Este homem persa do século IX é uma figura lendária, pois muitos duvidam que ele tenha realmente existido. De fato, a sua lista de feitos o tornam inacreditável.

Ele era astrônomo, geógrafo, farmacêutico, químico e matemático. E foram os trabalhos com a química que o trouxeram para esta lista. Ele era um dos seguidores da ideia do takwin, um conceito islâmico que envolve a criação de vida sintética em laboratório.

Não se sabe exatamente que tipo de vida ele estava buscando. Afinal, o takwin poderia ser qualquer coisa desde um minúsculo organismo até uma vida humana.

Giovanni Aldini

Esse foi um “frankensteiniano” italiano extraordinário. Após aprender a usar a eletricidade para fazer os músculos de um cadáver se contraírem, ele resolveu levar as coisas ao extremo – e em público.

Ele chegou a se gabar de conseguir “comandar os poderes vitais”. Ele também realizou uma pesquisa secundária, na qual ele tentava encontrar um meio de tornar objetos e pessoas à prova de fogo. Não se sabe muito do que ele fez nesta pesquisa secundária.Ele eletrocutou cabeças de bois mortos, para que elas se contorcessem na frente dos espectadores. Ele também tentou a mesma “brincadeira” com cabeças de prisioneiros executados, colocando os eletrodos nas orelhas. Ele abria cadáveres e eletrocutava suas espinhas dorsais, e afirmava ter atingido pessoas sufocadas e afogadas com descargas elétricas para trazê-las de volta à vida.

Mesmo tendo se autopromovido incansavelmente, ele nunca conseguiu realmente reviver alguém, mas ele conseguiu bastante atenção. Ele viajou para a Áustria, onde foi transformado em cavalheiro e ganhou uma posição política como prêmio. Um dado destaca Giovanni em relação aos demais cientistas desta lista – ele morreu rico e feliz.

Fonte: Jornal Ciencia

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s