Células do sistema imunológico podem aumentar seu QI, diz estudo

O cérebro humano representa apenas 2% da massa do corpo, entretanto é considerado a parte mais complexa e extensa.

Ele é um conjunto distribuído de milhares de milhões de células que se estende por uma área de mais de 1 metro quadrado. Recebe aproximadamente 25% de todo o sangue bombeado pelo coração e é a “máquina” mais fascinante do corpo humano.

A relação corpo e mente é algo suposto há muito tempo, mas só está sendo de fato levado em conta recentemente. Hoje, se aceita com muita tranquilidade, no campo da medicina, que várias doenças possam se instalar no organismo por influência direta de alterações psicoemocionais. Por exemplo, já se considera que o nervosismo pode gerar a úlcera gástrica, o medo influencia na asma brônquica, bem como o stress no desenvolvimento de herpes simples (em pessoas que já possuam o vírus), e até a depressão pode acarretar o câncer.

Ao longo da última década, o neuroimunologista Jonathan Kipnis do Departamento de Neurociência, da Escola de Medicina da Universidade da Vírgina, também considerava fundamental essa conexão corpo e mente. A sua pesquisa sugere que o sistema imunológico dialoga de forma complexa com o cérebro, o que pode influenciar nossos processos de pensamento, persuadindo o cérebro a trabalhar melhor.

A ideia de uma possível ligação entre a imunidade e a inteligência surgiu quando Kipnis recebeu o título de Doutor no Instituto de Ciência Weizmann, em Israel. Seu orientador, Michal Schwartz, realizou experimentos para entender como funcionam os reparos do próprio cérebro após uma lesão. Ele descobriu que o cérebro depende de um tipo de célula imune conhecida como célula T. Essa célula normalmente mata as células infectadas ou faz com que as outras células do sistema imunológico iniciem uma campanha contra os invasores inimigos.

A pesquisa de Schwartz também sugere que as células T possam enviar sinais que ativem as células cerebrais do sistema imunológico para protegerem os neurônios lesionados das toxinas liberadas pela lesão.

Ainda, de acordo com a pesquisa, quando o cérebro não apresenta as células T, ele desenvolve um trabalho ruim ao tentar se recuperar da lesão. Kipnis sabia que as células T não podiam passar pela barreira sague-cérebro, que bloqueia a maioria dos vírus e bactérias, permitindo a passagem das moléculas essenciais, como a glicose. E esse fator era fascinante para o pesquisador, pois apesar dessas células não conseguirem passar pela barreira para ter acesso ao cérebro, elas podiam influenciar significativamente, a certa distância. Ele ainda se perguntou se as células T poderiam fazer mais do que ajudar o cérebro a curar feridas. “A ideia doida veio a mim: E se usássemos as células T para ativar a função saudável do cérebro?” disse Kipnis.

Eu nunca vi ratos tão idiotas!” Foi essa a exclamação feita pela pesquisadora Hagit Cohen, amiga de Kpnis, após resultados obtidos por meio de um teste.

Kipnis decidiu fazer um experimento para testar a sua ideia. Ele criou dois grupos de ratos, em um grupo os ratos eram normais, e no outro os ratos não tinham as células T no organismo. Kipnis enviou a colega da Universidade Bem-Gurion de Negev, os dois grupos para ver se eles aprendiam um truque novo.

Os ratos eram submetidos a um teste de aprendizagem conhecido como o labirinto de água de Morris. Eles eram colocados em uma poça de água, no qual nadavam freneticamente. Entretanto, havia um suporte debaixo da água que se os ratos conseguissem achar, eles poderiam parar de nadar, e não se afogariam. Depois de várias rodadas, os ratos aprenderam o segredo, e nadaram em linha reta na direção desse suporte.

Inicialmente, Cohen não sabia qual era a pesquisa de Kipnis, e terminado os testes com os ratos, ela ligou para o colega dizendo: “Um dos grupos de ratos que você me enviou são idiotas de verdade. Eu nunca vi ratos tão idiotas”. Esses eram os animais que não tinham as células T.

Kipnis estava certo. Sem as células T, os ratos não conseguiam raciocinar. Dessa forma, o cientista concluiu que talvez ele fosse capaz de reverter à situação e fazer com que os ratos tolos se tornassem inteligentes, dando-lhes de volta as suas células T. Ele injetou as células na corrente sanguínea dos animais e esperou até que elas se multiplicassem e se espalhassem. Posteriormente, os ratos foram testados novamente, e eles acharam o suporte tão bem quanto o outro grupo que já tinha desde o início as células T.

Protegendo o cérebro

A pesquisa aponta que as células T podem proteger o cérebro de uma inflamação e também trabalhar para manter a mente afiada. O simples processo de aprendizagem reforça esse efeito. Isso foi observado nos ratos. Quando eles aprenderam algo novo, as células T nas meninges produziram altos níveis de uma molécula chamada interleucina 4 (IL-4). A IL-4 é um sinal de que o sistema imunológico freou uma possível resposta inflamatória, e melhorou a aprendizagem.

Esta teoria poderia explicar por que perdemos nosso potencial mental quando ficamos doentes. Neste estado, as células T afrouxam o seu domínio para deixar que os invasores ataquem o sistema imunológico. É por isso, por exemplo, que quando passamos alguns dias na cama com gripe, podemos nos sentir um pouco “abobados”. A inflamação, resultado da enfermidade, ajuda a limpar os invasores, mas também atenua a aprendizagem.

Isso acontece porque as células fazem uma escolha crucial: ou auxiliam o sistema imunológico a se livrar da doença, ou auxilia no desenvolvimento de uma mente afiada. Neste caso, com o organismo em risco, a primeira alternativa é sempre levada em conta.

É possível perdermos as células T?

Indivíduos com câncer tem a tendência de perder essas células no processo de quimioterapia. “Pode ser mera coincidência que a quimioterapia seja notória para causar um estado confuso mental em que os pacientes têm dificuldade de pensar com clareza.” Argumenta Kipnis.


Os estudos têm revelados resultados muito interessantes e estimulantes para o prosseguimento da pesquisa.
Em idades mais avançadas, também há a grande probabilidade de despojarmos nossas células T, porque a glândula que produz um fluxo constante dessa célula em nosso organismo, o timo, tem o tamanho de um morango quando somos jovens, já na velhice essa glândula diminui tornando-se pouco visível.

Hoje não podemos realmente começar a consertar as coisas dentro do cérebro. Mas podemos tomar o sistema imunológico do corpo, podemos colocá-lo de volta, podemos fazer quase qualquer coisa que queremos“, diz Kipnis. “Podemos atingir o sistema imunológico e obter benefícios no cérebro. Poderia ser uma excelente ferramenta terapêutica”.

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s