Brian Greene: e a busca de uma Teoria Unificada

Greene, um dos mais destacados especialistas em cosmologia e física de partículas na atualidade, contou que essa busca começou em 1955 com Albert Einstein em seu leito de morte.

– Quando olhamos o céu estrelado, é impossível não achar que tem uma resposta para toda a beleza dele. É o que levou Einstein e outros a buscarem isso. Não é apenas uma questão estética. Tem perguntas vitais e concretas que jamais teremos respostas senão encontramos essa teoria unificada.

Para o físico é importante questionar como teve início o universo.

– Muitos pensam no Big Bang. O universo começou como algo pequeno, que se expandiu e se esfriou. Formou-se estruturas, estrelas e galáxias. Tudo que conseguimos ver num céu claro. Utilizamos a observação e a matemática pra saber o que aconteceu lá no início. Entretanto, equações não funcionam pra explicar o tempo 0, o momento em que tudo começou – explica Greene.

Brian GreenePara o estudioso, talvez tenhamos essa resposta com a Teoria das Supercordas, uma teoria totalmente especulativa. Um conjunto de ideias matemáticas sobre o universo, que não tem provas materiais, nem observações do universo para serem confrontadas com a realidade.

–  É preciso distinguir a física que já foi estabelecida, a qual confiamos, em comparação com outras ideias físicas que estão do lado da especulação.

Em meados de 1600, Isaac Newton descobriu a lei universal da gravidade que ensinamos para os alunos até hoje. Foi um acontecimento inacreditável, pois com equações você pode prever o que acontece no cosmos.

No início do século 20, algo novo surge na física. Albert Einstein fez a pergunta básica que Newton não respondeu – como funciona a gravidade? Como um objeto atrai outro, se não tem nada entre eles?

– Einstein gastou 10 anos com essa questão. Em 1915 a resposta veio simples, linda e impressionante. Ele descobriu que o espaço consegue influenciar o movimento do objeto. Vamos pensar numa folha de borracha esticada na horizontal. Se jogar uma bola de gude, a trajetória será reta. Se jogarmos um objeto pesado, que deforme a folha, e lançarmos de novo a bola de gude, a trajetória muda. A folha de borracha é o universo e o objeto pesado é qualquer astro. A Terra se mantém em órbita porque gira ao longo de um “vale”, ambiente curvo criado pelo Sol. Gravidade não é nada além do espaço e tempo empurrando objetos em determinada trajetória.

A teoria geral da relatividade foi importante para entender o universo, mas ela entrou em conflito com a mecânica quântica. A teoria das supercordas surge para resolver este embate.

De acordo com Greene, quando utilizavam a física convencional para descrever coisas pequenas como átomos e partículas, as previsões eram errôneas. Isso alertou uma geração de cientistas para o fato que precisávamos de novas leis para descrever coisas menores.

– A única característica da mecânica quântica para entender o conflito se chama princípio da incerteza, formulado por Werner Heisenberg. Ele diz que, quanto menor o elemento que analisamos, maior a incerteza sobre ele.

A mecânica quântica diz que o universo não vai se curvar – vai tremer. O tecido do espaço num micromundo seria turbulento. Diferente do que Einstein explicou.

– Por isso a teoria de Einstein funciona bem naquilo que é grande, mas não pode ser aplicada em coisas pequenas. A possível solução para o conflito se dá na Teoria das Cordas. Ela propõe unificar toda a física e unir a Teoria da Relatividade e a Teoria Quântica numa única estrutura matemática.

Essa teoria tenta abordar do que são feita as coisas. A partícula fundamental que constitui a matéria. Segundo o fisíco, os Quarks são o limite onde param as ideias convencionais. Na teoria das cordas existe mais um nível de estrutura. Um pequeno filamento que se parece com uma corda e esse filamento vibra em padrões diferentes.
Essas vibrações produzem diferentes espécies de particular.

– Essas cordas são tão minúsculas que não temos a capacidade de detectá-las, por isso é uma teoria especulativa.

Se essa teoria for correta, isso implicaria em dizer que o universo tem mais de três dimensões.

– Existem dois tipos de dimensões, as grades e fáceis de enxergar, e as pequenas e difíceis de detectar. Com 10 dimensões, todos os problemas matemáticos desaparecem do universo. É um fato matemático. Na Teoria das Cordas, o padrão das vibrações determina o formato dessas dimensões.

O cientista afirma que isso gera três reações na comunidade científica. A primeira afirma que existem tantos formatos candidatos para as dimensões que nunca poderemos fazer uma previsão definitiva. A segunda diz que a teoria das cordas é estudada há apenas 30 anos e que é preciso continuar para encontrar os formatos.
A terceira diz que talvez não exista um formato certo, que fazemos parte de um multiverso, originário de diversos Big Bangs, e que deram origem a vários universos com diferentes formatos.

– Se encontrarmos provas que existem outros universos que demonstrem que estivemos sempre errados. Seria essa a maior conquista da humanidade – finalizou Greene.

Fonte: Zero Hora – Fronteiras do Pensamento

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One thought on “Brian Greene: e a busca de uma Teoria Unificada

  1. E se o multiverso, na verdade seja um único universo. Porém com comportamentos diversos: adaptando-se às solicitações recebidas e alterando o formato de quem o solicitou e adaptando-se instantâneamente (o multiverso) à nova condição em virtude dessa solicitação. Diferente de ação e reação, o vultiverso altera a grandeza de quem o solicitou e a sua própria, indo na direção da expansão do universo como um todo.
    Pode ser uma bobagem, mas não custa imaginar.

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