Por que ser cientista 3 ?

Seu pai tomava conta de uma fazenda de plantação de café, e desde menino Alberto Luis trabalhava na roça. Nascido em Campinas, no interior do estado de São Paulo, no ano de 1956, o biólogo conta que era muito apegado aos animais e que adorava pescar.

Ninguém estudava por lá porque para fazê-lo era necessário enfrentar uma longa distância, mas seu pai fez questão de colocá-lo junto com seus três irmãos na escola. “Quando eu comecei, no primário, descobri que gostava de estudar porque ali eu conseguia explicações para as coisas que eu via e vivia na fazenda”, conta Adalberto.

Quando terminou o ginásio resolveu se aprofundar nesses assuntos e foi fazer o Colégio Técnico Industrial Conselheiro Antonio Prado, em Campinas. “Escolhi o curso técnico de Bioquímica e me apaixonei por aquilo tudo, eu conseguia explicar cada vez mais e melhor tudo que envolvia meu cotidiano na fazenda.”

Teve então a oportunidade de trabalhar em São Carlos com o Prof. Arno Rudi Schwantes, estudando peixes. Adalberto gostava muito de pescar e se interessava por como os peixes viviam em seus ambientes. Decidiu ampliar seus conhecimentos cursando a graduação em Biologia em Ribeirão Preto. “Mas antes de terminar, o Prof. José Galizia Tundisi me convidou para montar um laboratório de peixes em Manaus, em 1979, e aí me apaixonei e nunca mais saí de lá. Eu acho que nunca eu teria feito a carreira que fiz – apaixonante, vibrante – se fosse em outro lugar.”

adalbertoAdalberto é um entusiasta da Amazônia. “Quero realmente ver a Amazônia se desenvolvendo mesmo, de forma integral, com inclusão social. Do ponto de vista científico, trabalhar na Amazônia é especial, tudo que você toca é novo, em todas as viagens de campo descobrimos ou uma nova espécie de peixe ou uma nova maneira de os peixes se relacionarem com o ambiente, é muito impressionante”, destaca o pesquisador.

Atualmente, Adalberto Val é diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), onde estuda desde 1981 a respiração e as adaptações dos peixes da Amazônia às modificações do meio ambiente, tanto aquelas de origem natural como aquelas causadas pelo homem. Doutorou-se em 1986 e entre 1990 e 1992 cursou pós-doutorado na Universidade da Columbia Britânica, no Canadá.

Sua contribuição científica inclui mais de uma centena de publicações. É membro atuante da Sociedade Brasileira de Ictiologia (SBI) e de várias outras entidades nacionais e internacionais da área. Participa de inúmeras comissões de trabalho do governo e de organismos internacionais como consultor. É membro do corpo editorial de várias revistas nacionais e estrangeiras. Orientou quase 100 alunos, entre iniciação científica, mestrado e doutorado, além de ter recebido diversos colaboradores em nível de pós-doutorado.

Em 2000, na Inglaterra, foi incluído na Legião de Honra da American Fisheries Society, Physiology Section, por sua contribuição científica; em 2002, recebeu a Comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico e, em 2004, recebeu o Award of Excellence da sessão de Fisiologia da American Fisheries Society.

Falando sobre as características de um potencial cientista, Adalberto conta o que ele mais observa e admira. “Não dá para imaginar que se vai fazer um experimento e ele vai dar certo na primeira vez. Então a curiosidade associada à persistência para buscar a informação robusta de forma definitiva é o que constrói uma carreira sólida”, conclui o cientista.

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