Nasa retoma caminho para voos espaciais tripulados

Orion é primeira nave americana projetada para humanos depois dos ônibus espaciais

Uma multidão de milhares de pessoas, reunida na chamada Space Coast (“Costa Espacial”) da Flórida, assistiu quando o maior foguete do mundo partiu da Estação da Força Aérea em Cabo Canaveral rumo ao espaço para lançar a nova cápsula Orion da Nasa em sua primeira viagem experimental.

Substituta para o ônibus espacial, a nave poderia, algum dia, levar pessoas a um asteroide e possivelmente até a Marte.

Na sexta-feira, dia 5, porém, Orion viajou sem tripulação em um ensaio que a levou duas vezes ao redor da Terra. Em seu percurso, ela atingiu uma altitude máxima de 5.800 km (15 vezes maior que a da Estação Espacial Internacional) — muito mais longe da Terra que qualquer nave espacial destinada a humanos foi em 40 anos.

Conforme previsto, a cápsula retornou em segurança à Terra e caiu no oceano Pacífico cerca de quatro horas e meia após seu lançamento.

Originalmente, Orion deveria ter sido lançada em 4 de dezembro, mas fortes ventos, um barco desgovernado e uma falha na válvula de combustível do foguete impediram a primeira tentativa.

“Não tínhamos essa sensação de expectativa durante algum tempo, desde o fim do programa dos ônibus espaciais”, comemorou o diretor de voo da Orion Mike Sarafin do Centro Espacial Johnson, em Houston, no Texas, pouco antes do acontecimento.

“Estamos lançando uma nave espacial americana, a partir do solo americano. Estamos começando algo novo e explorando o espaço profundo”, arrematou.

Desde que o último ônibus espacial pousou em 2011, astronautas americanos têm pegado carona com os russos, mas a Nasa espera que a Orion comece a transportar equipes ao espaço até 2021.

Sarafin salientou ainda que todos os controladores de voo empenhados no controle da missão experimental eram veteranos do programa de ônibus espaciais. “Paira certa sensação de estarmos reunindo novamente o antigo grupo”, festejou.

O projeto Orion vem sendo desenvolvido desde 2005 e foi concebido originalmente no governo do ex-presidente George W. Bush para levar astronautas de volta à Lua.

O programa sofreu falta de verbas e atrasos e quase foi cancelado pelo presidente Barack Obama, antes de Orion ser redefinida como um “veículo multiuso para tripulações”.

O cone, de 3,3 metrosde altura e 5 metros de largura foi projetado para transportar de dois a seis astronautas em missões de até 21 dias. O voo experimental de sexta-feira custou em torno de US$ 370 milhões e abriu o caminho para um possível primeiro voo tripulado, que enviaria astronautas a orbita da Lua.

Na sequência, uma missão levaria pessoas a um asteroide, que teria sido deslocado de sua trajetória original e levado para perto da órbita lunar por uma missão robótica. E, de acordo com ambições para um futuro mais distante, a cápsula poderia transportar tripulações para Marte — se a nave se acoplar a outro habitat espacial para essa longa viagem.

Mas como não existem datas ou planos claros para essas futuras missões humanas, em última análise o destino da Orion é um ponto de interrogação.

“Não quero que ninguém fique focado em possíveis destinos”, salientou Charles Bolden, administrador da Nasa em Cabo Canaveral. “Esta é uma jornada”.

Bolden enfatizou que a cápsula terá capacidades muito além de qualquer nave espacial americana anterior e qualificou o voo experimental como “história sendo feita”.

O principal objetivo dessa primeira viagem da Orion foi testar seu escudo térmico, que é uma versão adaptada do mesmo material que protegia as cápsulas Apollo, um pouco menores, no caminho de volta da Lua.

O revestimento da Orion foi projetado para manter a cápsula intacta enquanto ela passa pelas chamas ardentes, de 2.200ºC, que resultam do atrito durante a reentrada na atmosfera terrestre.

Além dos paraquedas, que funcionaram perfeitamente, o ensaio também testou os computadores e sistemas de navegação da nave, executando cada uma de suas diferentes etapas, e verificou que a cápsula foi capaz de suportar a intensa radiação dos cinturões de Van Allen ao redor da Terra, pelos quais ela teve que passar em seu caminho de volta à alta órbita terrestre.

No lançamento de estreia, a Orion viajou em cima de um foguete Delta IV Heavy construído pela empresa United Launch Alliance, uma joint venture da Boeing Company e da Lockheed Martin.

Mas a cápsula foi projetada para ser lançada pelo chamado Space Launch System (SLS), o foguete de próxima geração da Nasa, que já está em desenvolvimento e será o mais poderoso já construído.

Previsto para estrear em 2018, o SLS terá um empuxo (propulsão) de 8,4 milhões de libras (4.200 toneladas), em comparação com os 2 milhões de libras (cerca de um milhão de toneladas) do Delta IV Heavy.

Após descer no oceano Pacífico, equipes da Marinha americana iniciaram imediatamente os esforços para rebocar a cápsula até um navio de transporte que estava à espera.

As primeiras inspeções do escudo térmico e o processamento dos dados de 1.200 sensores da nave começaram a ser feitos no caminho de volta ao porto de San Diego, na Califórnia, durante o fim de semana.

De SanDiego, a cápsula será transportada na carroceria de um super caminhão de volta para a Flórida, onde deverá chegar alguns dias antes do Natal.

Publicado em Scientific American em 5 de dezembro de 2014

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