Professores dão notas melhores para garotas quando não sabem que elas são garotas

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Basta entrar em uma sala de qualquer faculdade de Engenharia para perceber: embora a presença feminina aumente ano a ano, mulheres ainda são muito sub-representadas na área das ciências exatas.

Não só há poucas mulheres que optam pelas áreas denominadas STEM — acrônimo para ciência, tecnologia, engenharia e matemática — como aquelas que aceitam o desafio encontram dificuldades para galgar postos de chefia, devido ao machismo.

Um novo estudo indica que o problema começa antes que imaginávamos: desde cedo, as garotas são desencorajadas a acreditarem que são capazes de fazer contas.

A pesquisa, publicada em janeiro pelo National Bureau of Economic Research, sugere que professores de matemática dão notas maiores para meninas quando NÃO sabem que estão corrigindo a prova de uma.

No início de 2002, os pesquisadores analisaram três grupos de estudantes do 7ª ano ao fim do ensino médio. Os estudantes fizeram duas provas cada um, em várias disciplinas. Em uma, eles assinaram seus nomes. Na outra, não.

Na prova “anônima” de matemática, as garotas foram melhor que os garotos. Mas na prova “identificada”, os garotos foram melhor.

O mais curioso é que, em línguas, não houve diferença entre os sexos nas duas provas.

Isso levou os pesquisadores a concluírem que, em matemática, os professores tendem a subestimar as habilidades das meninas e superestimar as dos meninos.

Os resultados são curiosos porque, teoricamente, matemática é uma disciplina em que o certo é certo e o errado é errado, ou seja, não deveria haver grandes variações de acordo com o sujeito que resolve a prova.

Inúmeras pesquisas da área de pedagogia e aprendizagem mostram que, quando professores têm boas expectativas, os alunos vão melhor na escola. Ou seja: acreditar em um aluno é fundamental para que ele acredite em si próprio.

E se queremos igualdade entre os sexos no futuro, é preciso que desde cedo, sejamos reconhecidos pelos nossos méritos sem que nosso sexo seja levado em conta. Talvez seja este o caminho para cortar o mal pela raiz.

Texto de Ione Aguiar

Fonte: Brasil Post

(H/T New York Times)

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