Galáxia CR7 pode ter primeira geração de estrelas do Universo

Galáxia CR7

Com o auxílio do Very Large Telescope do ESO, astrônomos descobriram a galáxia mais brilhante observada até hoje no Universo primordial e encontraram evidências fortes de que este objeto contém estrelas da primeira geração.

Estas estrelas massivas e brilhantes, puramente teóricas até agora, teriam sido as criadoras dos primeiros elementos químicos mais pesados do que o hidrogênio e o hélio – os elementos necessários à formação das estrelas que nos rodeiam atualmente, os planetas que as orbitam e a vida tal como a conhecemos.

Galáxia CR7 pode ter primeira geração de estrelas do Universo

A galáxia, batizada de CR7, é três vezes mais brilhante do que a galáxia distante mais brilhante que era conhecida até agora.

O nome CR7 é uma abreviação de COSMOS Redshift 7, uma medida do lugar ocupado em termos de tempo cósmico. Quanto maior o desvio para o vermelho (redshift), mais distante estará a galáxia e mais para trás no tempo da história do Universo. A A1689-zD1, uma das galáxias mais velhas já observada, por exemplo, tem um desvio para o vermelho de 7,5.

Estrelas primordiais

Os astrônomos desenvolveram há algum tempo a teoria da existência de uma primeira geração de estrelas – conhecidas por estrelas de População III – que teriam nascido do material primordial do Big Bang.

O nome População III vem do fato de os astrônomos já terem classificado anteriormente as estrelas da Via Láctea como sendo de População I (estrelas como o Sol, ricas em elementos pesados e que formam o disco da galáxia) e de População II (estrelas mais velhas, com baixo conteúdo de elementos pesados e encontradas no bojo e no halo da Via Láctea e em aglomerados globulares).

Todos os elementos químicos mais pesados – como o oxigênio, nitrogênio, carbono e ferro, que são essenciais à vida – formaram-se no interior das estrelas, o que significa que as primeiras estrelas devem ter-se formado dos únicos elementos que existiam antes delas: hidrogênio, hélio e traços mínimos de lítio.

Estas estrelas de População III seriam enormes – várias centenas ou mesmo milhares de vezes mais massivas do que o Sol – extremamente quentes e transientes – e explodiriam sob a forma de supernovas após cerca de apenas dois milhões de anos. No entanto, e até agora, a busca de provas físicas da sua existência tinha-se revelado infrutífera.

Rastreio de galáxias

Uma equipe liderada por David Sobral, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, Universidade de Lisboa, e do Observatório de Leiden, Holanda, utilizou o Very Large Telescope do ESO (VLT) para observar o Universo primordial, no período conhecido por época de reionização que ocorreu cerca de 800 milhões de anos após o Big Bang. Em vez de fazer um estudo profundo e direcionado a uma pequena área do céu, a equipe ampliou o seu foco de estudo produzindo o maior rastreio de galáxias muito distantes já obtido.

Este extenso estudo confirmou um número surpreendente de galáxias brilhantes muito jovens. A CR7, especificamente, é um objeto excepcionalmente raro, de longe a galáxia mais brilhante já observada nesta época do Universo.

“A descoberta superou, desde o início, todas as nossas expectativas”, disse David Sobral, “uma vez que não esperávamos encontrar uma galáxia tão brilhante. Após desvendarmos pouco a pouco a natureza de CR7, percebemos que não só tínhamos descoberto a galáxia distante mais brilhante conhecida até agora, como também que este objeto tinha todas as características que se esperam de estrelas de População III. Estas estrelas são as que formaram os primeiros átomos pesados que, em última análise, são os que nos permitem estar aqui. Este estudo revelou-se extremamente interessante”.

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