Acidentes com barragens no Brasil têm números alarmantes

Ainda não rompeu?

Até o ano de 2008, houve 77 rompimentos de barragens no país, embora a maioria dos casos tenha ganhado pouca repercussão na imprensa.

As informações foram divulgadas pelo engenheiro português Ricardo Oliveira, um dos maiores especialistas do mundo no assunto.

Isto representa, segundo dados do engenheiro, o rompimento de um percentual elevadíssimo do total de barragens existentes no país – mais de 8%.

O Brasil tem 663 barragens de contenção de rejeitos de mineração e 295 barragens de resíduos industriais, segundo dados da Agência Nacional de Águas (ANA).

O especialista mostrou dados sobre as principais barragens que colapsaram, no Brasil, desde 1954.

Dentre esses casos, seis rompimentos aconteceram em Minas Gerais, de 1985 até hoje, envolvendo justamente barragens de rejeitos de mineração, como a de Mariana. “Pode ser, eventualmente, o fato de ter havido menos cuidado na manutenção”, afirmou.

Fundações das barragens

Para o professor da Universidade de Lisboa, que deu uma palestra no Clube de Engenharia do Rio de Janeiro sobre a segurança de barragens, em 30% dos acidentes com barragens, o problema é a ruptura das fundações.

Segundo ele, em um caso como o da barragem da Samarco, em Mariana (MG), ao se romper a elevação da barragem, necessariamente deve haver um estudo global que envolva também as fundações da construção. “É preciso refazer a análise de estabilidade do pacote barragem-fundação”, disse ele.

Outro problema destacado pelo engenheiro é o “aviltamento de preços na contratação de serviços. O preço de referência é tão baixo que o projeto fica mal feito e as especificações não são suficientes. O que acontece é que essa contratação de serviços é feita com preços irrealistas agravados com os prazos. Encontramos projetos e concorrências que colocam prazos completamente fora da realidade e depois demoram anos além do previsto e aumentam os custos. Isso acontece muito no Brasil”.

Influência dos terremotos

Segundo Oliveira, somente há pouco tempo a legislação federal obriga a estudos sismológicos na construção de barragens, pois antigamente havia o conceito de que o Brasil era um país livre de tremores de terra, o que hoje já não é aceito.

“O que se dizia era que o Brasil não era um país sísmico. Só que ele tem sismicidade. Não destrói uma barragem se ela tem em conta essa ação sísmica adicional. Mas se a estrutura não está dimensionada para aguentar aquela sobreforça que está fazendo o sismo, ela pode se romper”, disse.

A Lei 12.334 estabelece a política nacional de segurança de barragens, descreve as ferramentas disponíveis e classifica os riscos de cada caso. Além disso, a ANA disponibiliza em seu site uma série de manuais sobre barragens, que servem de guias para a elaboração de projetos, a construção e a inspeção, entre outros.

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