Cientistas descobrem que boa parte do DNA dos tardígrados é exógeno

Pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, tiveram uma surpresa ao sequenciar o genoma dos tardígrados, a única espécie capaz de sobreviver em condições extremas: 17,5% do DNA dos pequenos animais é exógeno, ou seja, é desconhecida ao organismo deles.

A revelação foi feita em pesquisa publicada na última segunda-feira (23), no Proceedings of the National Academy of Sciences. A descoberta coloca em xeque a possibilidade de a habilidade excepcional de sobrevivência dos tardígrados esteja relacionada com essa parte de seu DNA. “Nós não tínhamos ideia de que o genoma de um animal poderia ter tanto DNA exógeno”, disse Bob Goldstein, coautor do estudo. “Sabíamos que muitos animais adquirem genes exógenos, mas não sabíamos que isso podia acontecer em grande quantidade.”

tardigrada (Foto: Flickr/Katexic Publications)

Anteriormente, o filo rotifera era conhecido como o com maior quantidade de DNA exógeno. Em termos de comparação, a maioria dos animais tem menos de 1% de DNA exógeno em seus genomas.

Os pesquisadores afirmam que os tardígrados conseguem 6 mil genes exógenos de bactérias, plantas, fungos e archaea, por meio da transferência horizontal de genes. Durante esse processo ocorre a troca de material genético entre as espécies. A equipe acredita que o DNA está entrando aleatoriamente no genoma, mas o que fica dele é que faz com que os tardígrados sobrevivam em condições extremas – como em 80ºC negativos em um freezer durante um ano ou no vácuo do espaço, por exemplo.

Seguindo a linha de pensamento dos cientistas, quando os tardígrados estão em condições extremas de estresse, seu DNA se quebra. Quando a célula se hidrata novamente, a membrana e o núcleo, onde fica o DNA, ficam esburacados, permitindo que outras moléculas grandes passem. Sendo assim, o animal consegue consertar seu próprio DNA, criando um mosaico de genes que vêm de diferentes espécies.

“Pensamos na árvore da vida, com material genético sendo passado verticalmente da mãe e do pai”, explicam os cientistas. “Mas com a transferência horizontal dos genes se tornando mais aceitada e conhecida, pelo menos em alguns organismo, ela começa a mudar a forma como pensamos em evolução e na passagem de material genético e na estabilidade dos genomas. Em vez de pensar na árvore da vida, podemos pensar na teia da vida e no material genético passando de linha em linha.”

FONTE: REVISTA GALILEU

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