Os incríveis microrganismos que se alimentam de elétrons

delftia_frontiersofmicrobio_elnaggar.jpg__600x600_q85_subsampling-2

YARA LAIZ SOUZA – Cientistas da University of Southern California estão intrigados com duas espécies de microrganismos encontrados no aquífero de Death Valley, na Califórnia. Esses microrganismos desenvolveram uma técnica incrível para sobreviver em um ambiente pobre em oxigênio, mas rico em minerais através de um processo batizado de transferência de elétrons extracelulares (EET, siga em inglês). Essa pesquisa é um dos primeiros esforços para compreender a história dos organismos que se alimentam de elétrons e se essa estratégia seria aplicável em locais como Marte.

O EET é uma estratégia metabólica incrível desenvolvido em um ambiente subsuperficial continental com grandes desafios energéticos para a existência de vida. Os cientistas ainda desconhecem a extensão e a diversidade de microrganismos que utilizam o ETT para sua sobrevivência.

As espécies de bactérias Delfia e Azonexux das famílias Comamonadaceae e Rhodocyclaceae foram observadas no Death Valley na Califórnia realizando esse processo. Experiências posteriores feitas em laboratório utilizando reatores eletroquímicos confirmando a EET.

A EET é quando um microrganismo é capaz de fazer trocas de elétrons de ou para minerais inorgânicos a fim de obter energia para sua sobrevivência. Esses organismos têm uma vantagem seletiva para a aquisição de energia por absorção ou eliminação de elétrons prevalecentes em habitats pobres em CO2 e O2 além do grande stress ambiental como temperaturas extremas.

“(…) o nosso estudo fornece evidência direta de que esses organismos também podem ganham um pouco de energia para a sobrevivência e/ou persistência por transferência de elétrons para superfícies extremas. O enriquecimento eletroquímico e isolamento destes organismos a partir de um aquífero de rocha fraturada levanta questões interessantes sobre a relevância das EET em ambientes subsuperfíciais limitadas em energia onde diversas rochas hospedeiras fornecem receptores de elétrons insolúveis (ou doadores de elétrons) (…)”, diz os resultados do artigo.

Essa poderia ser uma estratégia interessante para ambientes como Marte, planeta que tem sua atmosfera varrida pelas tempestades solares e é bastante pobre em O2.

O trabalho também salienta para a dificuldade de cultivar esses microrganismos, sinalizando que novas pesquisas precisam ser feitas voltadas para a criação de ambientes em laboratório que possam ser o mais semelhante possível aos ambientes naturais. Essa pesquisa pode, também, explicar algumas incógnitas da própria vida terrestre que segue ainda  sem uma origem definitiva. É uma janela tanto para a vida dentro como fora do nosso planeta, além de ser mais uma incrível prova de que a vida terrestre parece não conhecer limites.

Via Astrobiology NASA

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s