Teria Plutão os ingredientes para a vida?

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YARA LAIZ SOUZA – Plutão sempre foi visto como o mundo mais esmirrado e um tanto desinteressante por conta da sua posição no Sistema Solar e também pela reclassificação que o tornou um planeta anão. Porém, dados da sonda New Horizons, que conheceu Plutão muito bem, têm mostrado aos cientistas um planeta anão muito mais interessante do que se esperava. A pergunta que eles querem responder é se Plutão irá entrar para o hall dos locais com condições para abrigar vida e quais outros mistérios guarda.

Ainda vai demorar muito tempo para que todos os dados enviados no ano passado pela sonda sejam totalmente estudados, mas previamente já podemos comentar sobre alguns pontos como: sua química complexa, possível formação prebióticos abaixo da superfície, camadas complexas de neblina orgânica, montanhas de água congelada fruto de processos geológicos desconhecidos e a presença de um oceano de água líquida abaixo da superfície.

“A conexão com a astrobiologia é imediata – está bem ali na frente do seu rosto. Você vê materiais orgânicos, água e energia”, comenta Michael Summers, cientista da New Horizons e especializado em estrutura e evolução de atmosferas planetárias. Ele é autor de dois estudos relacionados ás novas descobertas da New Horizons sobre Plutão: A Fotoquímica da atmosfera de Plutão iluminada pela New Horizons e Restrições sobre a microfísica da vibração fotoquímica de Plutão das observações de New Horizons.

A atmosfera de Plutão é fina e esparsa. A neblina atinge até os 200 quilômetros acima da superfície, um número dez vezes maior do que os cientistas esperavam. Acima dos 30 quilômetros, Plutão nos mostra um paradoxo onde acontece a condensação das partículas da neblina numa área quente demais.

“Esta formação de neblina é iniciada na ianosfera, onde existem partículas eletricamente carregadas – elétrons e íons”, explica Summers. “Os elétrons se ligam aos hidrocarbonetos e os fazem ficar juntos. Eles se tornam muito estáveis e como eles caem através da atmosfera, acabam crescendo com outras partículas aderindo a eles. Quanto maiores elas são mais rápido caem […]”.

A possível produção de hidrocarbonetos e nitrila (ou cianeto) em Plutão deixa a questão da química prebiótica ainda mais interessante. Um exemplo é a formação do cianeto de hidrogênio, uma possível molécula chave que conduz à química prebiótica.

Outra coisa interessante em Plutão é a abundância das tolinas, um composto orgânico complexo que é criado quando a luz ultravioleta do Sol atinge as partículas de neblina. O cálculo atual mostra que as tolinas podem formar paredões de até 30 metros de espessura fornecendo mais material orgânico do que uma floresta na Terra.

Agora que Plutão se mostra como um bom local para a vida que conhecemos, Summers está cada vez mais ansioso por novos trabalhos. “Estive estudando Plutão uma vida toda e nunca esperava falar sobre essas coisas acontecendo por lá”, finaliza Summers esperançoso.

Via Astrobiologya NASA

 

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