Vida num vulcão, seria possível?

Foi descoberto mais um grupo de organismos extremófilos que vivem nas encostas de vulcões, com condições de tal forma inóspitas que são comparáveis às do planeta Marte. Os extremófilos são seres vivos que vivem em condições onde a maior parte dos outros organismos morreriam.

Desta feita, um grupo de cientistas da Universidade de Colorado em Boulder (EUA) estudou os solos de vários vulcões na região de Atacama (América do Sul) e, para sua surpresa, descobriu indícios de vida nesse terreno extremamente seco e inóspito, a mais de 6000 metros acima do nível do mar.

Os microorganismos encontrados são fungos, bactérias e arquea. As arquea eram anteriormente chamadas de arqueobactérias, porque se pensava que fossem um tipo de bactérias já que, como estas, também são diminutos seres unicelulares sem núcleo. Mas, mais tarde descobriu-se que eram seres completamente diferentes e que, ainda que remotamente, estavam mais aparentados com os seres humanos do que com as bactérias. As arquea são famosas por serem frequentemente encontradas em ambientes extremos, como o fundo dos oceanos ou efluentes extremamente ácidos de minas.

Estas novas espécies agora descobertas vivem num ambiente com variações diárias de temperatura que podem superar os 70°C, radiação UV muito intensa (o dobro da medida num deserto “típico”) e um solo paupérrimo em nutrientes (por exemplo, os níveis de azoto são tão baixos que não é detectável pelos instrumentos de medição usados). Não foram encontrados seres fotossintéticos, que consigam usar a energia do Sol, e portanto especula-se sobre qual será a fonte de energia que alimenta este débil ecossistema microbiano. É possível que usem uma fonte química de energia, com base no monóxido de carbono e gases de enxofre, mas esta é ainda uma hipótese por comprovar.

Esta é uma importante descoberta para a Astrobiologia, já que o conhecimento de seres vivos capazes de viver em ambientes como estes ajuda, por exemplo, a perceber melhor como poderiam ser as formas de vida noutros planetas com condições semelhantes, como é o caso de Marte. Pode também levar à descoberta de novas formas de obtenção de energia.

 

 

Fonte: Ciência na Imprensa Regional

Autora: Diana Barbosa

 

Artigo acadêmico de Referência:

Lynch, R. C. et al. (2012) The potential for microbial life in the highest-elevation (>6000 m.a.s.l.) mineral soils of the Atacama region. J. Geophys. Res. 117, G02028

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